
O momento em que um amor se despede
é diferente de qualquer outro que
alguém já tenha vivido.
Refiro-me àquela despedida que acontece
Refiro-me àquela despedida que acontece
quando a decisão está amadurecida por
todas as circunstâncias vividas, e quando
já se esgotaram todas as possibilidades.
É um momento solene.
Ao longo do processo, não percebemos
Ao longo do processo, não percebemos
a transformação.
É muito sutil.
É muito sutil.
Enquanto vislumbramos uma possibilidade,
o sentimento está imerso na esperança
e pronto para vivenciar, gloriosamente,
uma nova oportunidade.
À medida que os insucessos vão se acumulando,
À medida que os insucessos vão se acumulando,
o amor vai saindo, devagar, da nossa vida,
até que, um certo dia, olhando o relacionamento
sob todos os ângulos, vemos que o estoque de
possibilidades está esgotado.
No primeiro instante, ficamos um tanto
No primeiro instante, ficamos um tanto
perplexos e perdidos diante da constatação:
ruiu a ponte que ligava dois universos.
Nada mais a fazer.
Nada mais a dizer.
Qualquer gesto, qualquer palavra mergulhará
no nada que vem depois da despedida.
no nada que vem depois da despedida.
Sentimos tristeza.
Afinal, estamos fechando um ciclo importante
Afinal, estamos fechando um ciclo importante
no qual a afetividade foi exercitada,
permeando de sonhos e de esperanças cada
minuto da nossa vida.
À medida que o tempo vai passando,
começamos a enxergar aspectos do
relacionamento que antes não queríamos ver.
As mágoas que relevamos, os
constrangimentos que desculpamos,
em alguns casos, o descaso ou o
desrespeito com que o nosso amor foi
tratado são cenas que aparecem na
tela da nossa mente, como numa
seqüencia de filme.
Repassamos, então, o que foi a nossa
Repassamos, então, o que foi a nossa
conduta durante aquele trajeto e
percebemos as situações injustas que
permitimos que acontecessem conosco
permitimos que acontecessem conosco
enquanto insistíamos nas nossas
possibilidades.
Neste ponto, tomamos consciência
de um fato importante: o verdadeiro
amor não morre, nem mesmo muda.
Permanece intacto.
Mas intacto no seu tempo.
Naquele espaço de tempo em que foi
vivenciado a dois.
Nós é que mudamos.
Começamos, então, o retorno ao
Começamos, então, o retorno ao
nosso próprio centro e, em alguns
casos, a recuperar a dignidade e o
respeito próprios que estiveram
esquecidos enquanto acreditávamos
nas possibilidades.
Sem mágoas, respeitamos o direito
de escolha do outro e voltamos a sentir
orgulho de nós mesmos!
Estamos livres!
Estamos livres!
O desatar dos nós que nos prendiam
a um vir-a-ser que não foi nos
proporciona a serenidade do
reencontro com o nosso eu interior,
reencontro com o nosso eu interior,
com o equilíbrio e com a alegria de viver.
Somos nós mesmos, inteiros e muito
melhores do que antes.
É o benefício equivalente de qualquer
experiência de vida.
Lêda Yara Motta Mello
Lêda Yara Motta Mello












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