LOVE SONG

MENSAGENS DE AMOR

10 de ago. de 2008

POR QUE OS AMORES SE PERDEM



Letícia Thompson

O mais difícil de entender quando
os amores acabam são os porquês.
Por que duas pessoas que se encontraram
e se encantaram, viveram um amor que
parecia indestrutível, se separam?

Por que o amor geralmente acaba de um
lado só e é o outro que fica chorando
e querendo entender as razões?
Amores deveriam ser eternos, mas nem
sempre são.

Costumo comparar casais a chave
e fechadura. Nem toda chave abre
todas as portas e é necessário
encontrar aquela exata que vai se
encaixar perfeitamente e tudo será
possível.

Mas a gente acredita que cada vez que
alguém toca nosso coração e entra,
que é definitivo. Um casal que se
apaixona de início, sem que um tenha
tido o tempo de desnudar o outro nas
suas verdades, acredita nessa chama
e até briga por ela muitas vezes.

E cria-se sonhos, planeja-se o futuro...
enquanto isso os dias vão passando,
toma-se menos cuidado em manter a
magia e a parte dos dois que é mais
sonhadora começa a sentir-se incomodada.
Dá medo.

Medo de ter que olhar bem nos olhos
da realidade e dizer: acabou!
Medo de ter que se confessar a si
próprio que ainda não foi aquela vez!
Medo da solidão, de ter que recomeçar...

Não são as decepções que matam o amor.
Se assim fosse, não existiriam perdões
e reconciliações. O que mata o amor é
simplesmente a tomada de consciência
de que o outro não é o ser sonhado.

É como acordar depois de um longo sono
e lindos sonhos. O outro está ali, é
a mesma pessoa, mas aquela neblina que
dava a impressão de irrealidade já não
mais existe. E isso não acontece da
noite para o dia, como se costuma pensar.

É algo que vem com os dias, os hábitos,
as monotonias. Um percebe, o outro não.
Um começa a se sentir angustiado e o
outro continua acreditando ou finge
que acredita.

E quando a gota que faz transbordar o
vaso chega é o mundo todo que desmorona.
Porém, tudo não fica definitivamente
perdido. Sobra de um lado a dor e os
porquês, um resto de amor que teima em
ficar no fundo como o vinho envelhecido
na garrafa e do outro o coração dividido
por não poder reparar erros cometidos e
a vontade de continuar em busca de
outros horizontes.

Sobra para os dois a ternura e a
lembrança dos momentos passados juntos.
Por que corta-se relacionamentos, mas
não se apaga momentos, mesmo que a gente
queira. Vivido é vivido, feliz ou infelizmente.

Inútil é querer resgatar um amor que
resolveu partir pra outras direções.
Quanto mais apega-se, mais ele se
afasta. E quanto mais se afasta, mais
dói no outro a incompreensão. É uma
roda da qual é difícil de sair. E é uma
pena, pois os corações não merecem isso.

Quando a questão é amor, não existe justo
ou injusto. Existe o que ama e o que não
ama mais. Precisamos aceitar que o outro
não tenha os mesmos sentimentos, mesmo
se isso nos faz mal, por que se o amor
não for livre para se instalar onde realmente
deseja, ele perde toda a razão de ser.

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