LOVE SONG

MENSAGENS DE AMOR

5 de ago. de 2008

O que você precisa ter para ser amado?


Ailin Aleixo

Durante muito tempo acreditei que o que me
fazia amar um homem era a inteligência.
Ficava enfeitiçada com citações,
elucubrações e teses. Mas não era.
De nada adianta um perito em física nuclear,
se ele não rir das pequenas besteiras que
faz, se não souber aproveitar um sábado
quente simplesmente não fazendo nada
(e curtindo o ócio), se virar um psicopata
quando alguém o fecha no trânsito.
Então saquei: bom humor era o que mais me atraía.

Sempre achei delicioso estar com alguém
que não vê o mundo como uma grande e
monstruosa boca cheia de dentes prestes
a mastigá-lo, que vive sem arrastar correntes,
faz de tudo uma possível piada.
Só que nem tudo é uma piada e, em certas
horas, tudo o que quero é alguém que me
escute e diga algo que me conforte a alma.

E, nesses momentos, o pior que pode acontecer
é ser levada na piada - existe uma grande
diferença entre alegria de viver e recusa a
sair da infância. Pois é, não era bom humor
o que me fazia amar alguém: era, antes, sensibilidade.

Telefonemas de bom-dia, atenção a informações
aparentemente banais mas que dizem muito a meu
respeito, não ficar azedo e arredio por causa
das minhas pequenas (ou grandes) oscilações de
humor - tudo o que eu podia querer. Quase tudo.
Tenho personalidade forte e só sobrevive ao meu
lado um homem que grite comigo quando eu passar
dos limites do bom senso, demonstre desagrado
quando eu exigir demais e oferecer de menos.

Preciso ser cuidada, mas tenho que sentir que
quem está comigo é um homem de verdade e não
um principezinho criado pela avó. Quero ser
domada, tomada. Mais uma vez minha certeza
caiu por terra: nem inteligência, bom humor
ou sensibilidade eram o que me fazia amar
alguém. Era - isso, sim - virilidade.

Mal abrir a porta da sala e ser consumida
por beijos. Ter a roupa arrancada no caminho
da cozinha, ser jogada na mesa de jantar sem
tempo pra pensar no que está acontecendo,
só sentir e saber o tesão incontido daquele
homem por mim. Ser desejada com urgência e
paixão é um dos maiores elogios que uma mulher
pode receber, mas só ser desejada de nada
adianta, pelo menos não depois da décima
trepada monumental: quando acaba o suadouro,
o que resta?

Se pouco importa o saldo, o que interessa mesmo
é a movimentação, então estamos feitos.
Mas, se existe a possibilidade de ser esmagada
pelo vazio de sentido após o orgasmo, de nada vale.
Pelo menos se não vier acompanhada de carinho.
Taí: pensei, então, que carinho era a pedra
fundamental pra despertar meu amor.

Mas logo descobri que não era. Carinho é um
sentimento abrangente demais: nos invade desde
a visão de um cachorro abandonado até a palavra
confortadora para alguém que pouco nos importa
mas a quem também não queremos mal.
Não bastava, era muito pouco.
Daí constatei que o essencial para que eu
amasse alguém era notar no outro a vontade
de ficar, o desejo de estar comigo.
Constatei coisas demais e fiquei paralisada
diante do ideal que havia criado:
absurdo e fictício.

Hoje, enfim, aprendi que toda enumeração
é uma estupidez e qualquer tipo de formulário
emocional, uma passagem sem escalas pra
frustração. Claro que gosto de homens cultos,
atenciosos, interessantes, divertidos e viris
- seria mentira negar. Mas a verdade é que,
para que eu ame alguém, basta que eu ame
alguém. Porque, quando se precisa justificar
o amor, é porque ele não existe.
Simples assim.

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