LOVE SONG

MENSAGENS DE AMOR

6 de jan. de 2010

Descontruções


Quando a gente conhece uma
pessoa, construímos uma imagem.
A imagem tem a ver com as nossas
expectativas e mais ainda com
o que ela "vende" de si mesma.
É pelo resultado disso tudo
que nos apaixonamos.
Se a pessoa for parecida com a
imagem que projetou em nós,
desfazer-se dela, mais tarde,
não será tão penoso.
Restará a saudade, talvez uma
pequena mágoa, mas nada que
resista por muito tempo.
No final, sobreviverão
as boas lembranças.
Mas se esta pessoa "inventou"
um personagem e você acreditou,
virá um processo mais lento:
a de desconstrução daquilo
que você achou que era real.
Desconstruindo Ana, desconstruindo
Marcos, desconstruindo Carla.
Milhares de pessoas vivem seus
dias aparentemente numa boa,
mas por dentro estão
"desconstruindo ilusões".
Tudo porque se apaixonaram por
uma fraude, não por alguém autêntico.
Ok, é natural que, numa aproximação,
a gente "venda" mais nossas
qualidades que defeitos.
Ninguém vai iniciar uma história
dizendo: muito prazer, eu sou
arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco.
Nada disso, é a hora de fazer charme.
Uma vez o romance engatado,
aí as defesas são postas de lado
e a gente mostra quem realmente é,
nossas gracinhas, manias e imperfeições.
Isso se formos honestos.
Os desonestos são aqueles que fabricam
idéias e atitudes, até que um dia
cansam da brincadeira, deixam
cair a máscara e o outro fica ali,
sem entender absolutamente nada.
Quem se apaixonou por uma mentira, tem
que desconstruí-la para "desapaixonar".
É um sufoco.
Exige que você reconheça que foi
seduzido por uma fantasia, que
você é capaz de se deixar confundir,
que o seu desejo é mais forte
do que sua astúcia.
Significa encarar que alguém
por quem você dedicou um sentimento
bacana não chegou a existir,
que tudo não passou de uma
representação.
Talvez até não tenha sido por mal,
pode ser que esta pessoa nem
conheça a si mesma,
por isso ela se inventa.
Sorte quando a gente sabe com
quem está lidando: mesmo que
venha a desamá-lo um dia, tudo
o que foi construído se manterá de pé.
Afinal, todos, resistimos muito
a aceitar que alguém que gostamos
não é, e nem nunca foi, Especial.
Martha Medeiros

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