LOVE SONG

MENSAGENS DE AMOR

13 de ago. de 2010

Veredas

As sobras dos dias do sertão,
Farelos de pó que ressequidos,
Nos bicos dos pássaros fugidos,
Enchem de mágoas a estação!

A cabeça queima e eu tonteio!
Mais o assombro é onde eu me afundo,
No calor do sol, um moribundo
Que ainda não soube por que veio.

Até a miséria tem sua cama
De terra batida e chão queimado.
Mas lá , muito lá, o corcovado
Cristo ao relento não reclama.

Eu reclamo, sim! De tudo eu choro!
Da vida, solidão e de saudade.
Se conto e reconto a minha idade,
Procuro um lugar... Aonde eu moro?

Fome! Ah, infame estátua fria
Se te agarro dóis na minha mão!
De uma dor se mata um coração.
De quantas perpetua-se a agonia?

Me falto... Vou de adeus a revoada.
Pois em baixo já não sinto os pés.
Oh! Senhor, me dizes quem tu és?
Calou. Onde estou? Me digas! Nada!
Eliane Couto Triska

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