LOVE SONG

MENSAGENS DE AMOR

6 de out. de 2009

AMOR MADURO...


O amor maduro não é menor
em intensidade.
Ele é apenas silencioso.
Não é menor em extensão.
É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações:
Presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as usências significantes.
O amor maduro tem e quer problemas,
sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas
trabalhosas de construir o bem, o prazer.
Problemas da infelicidade
não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles,
o ficar com o gosto da boca e do cheiro
do outro – está a compreensão antecipada,
a adivinhação, o presente de valor interior,
a emoção vivida em conjunto, os discursos
silenciosos da percepção, o prazer de
conviver, o equilíbrio de carne e de espírito.
O amor maduro é a valorização do melhor
do outro e a relação com a parte salva
de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu, mesmo tendo
ficado para depois, vive do que fermentou
criando dimensões novas para sentimentos
antigos, jardins abandonados, cheios
de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe.
Não exige, oferece.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
O amor maduro cresce na verdade e se
esconde a cada auto-ilusão, basta-se
com o todo do pouco.
Não precisa e nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e por isso
mesmo é incompleto, por isso é pleno em cada
ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma
adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido, mas doce.
Luminoso, sem ofuscar.
Suave, mas definido.
Discreto, mas certo.
(Artur da Távola )

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